A participação da mulher brasileira na política

No mês da mulher é essencial para a evolução da sociedade, com todas as adaptações inerentes a esse processo, uma análise da participação feminina em todas as esferas sociais. Assim, merece destaque e atenção a participação das mulheres no Poder Legislativo. Nas câmaras nacionais de todo o mundo esse número ainda está longe de ser o ideal para uma representação equilibrada dos gêneros, ficando com uma média pouco acima de 16%. No Brasil, tal participação é quase irrisória, apenas 8,8%, números pouco acima dos países árabes (6,8%), segundo dados da União Parlamentar (UIP). Mas qual seria a causa de tal sintoma?

Expor argumentos que justificassem números tão pouco expressivos é fácil. Destaca-se o fato de que a mulher brasileira começou a participar da política tardiamente, passando a ter direito ao voto só por volta de 1930. E essa luta feminina tem sua história contada através de Berta Maria Júlia Lutz, que liderou o movimento feminino fundando, no Rio, a Federação para o Progresso Feminino, passo decisivo para a conquista do voto. Sua luta teve papel fundamental para aprovação do Novo Código Eleitoral, em 1932, no governo de Getúlio Vargas, que garantiu o direito de voto à mulher. Nesse contexto, vale ressaltar que, desde de 1822, já existia o voto no Brasil, mas apenas os brancos e ricos tinham esse direito. Ou seja, somente após 110 anos de direito ao voto as mulheres passaram a ter voz, ainda que quase um sussurro naquela época, e ainda rouca nos dias de hoje.

Desde a caminhada iniciada pela primeira parlamentar brasileira, Carlota Joaquina de Queiroz, eleita em 1933, até os dias atuais, a evolução da participação feminina tem sido lenta. Do total de 513 deputados, 46 são do sexo feminino. No senado, a representação sobe um pouco, chegando a 10 do total de 81 senadores. Em 1998, eram 39 deputadas e seis senadoras, e em 1994, 42 deputadas e cinco senadoras. Os números mostram que além de lenta, a maior participação da mulher brasileira na política não é uniforme, dificultando, assim, a elaboração de projeções para os anos futuros. Mas por que a participação da mulher em diversos setores da sociedade aumenta a cada ano e na política isso não acontece? Como referência para o raciocínio a informação de que entre os universitários brasileiros, as mulheres respondem por 57,4% do total, ficando os homens com os 42,6% restantes, é primordial. Isso significa que muitas mulheres são educadas, têm posição de destaque em seus segmentos profissionais, mas não demonstram grande interesse pela vida pública. Por que?

Para se chamar a atenção da mulher para uma maior participação na política, é necessário que se incentive tal interesse, através de políticas públicas que promovam a igualdade e a valorização do papel feminino na sociedade. O mundo parlamentar é essencialmente masculino, e ainda preconceituoso em relação às mulheres que decidem quebrar esse paradigma. Poucas são as mulheres que presidem comissões nas casas parlamentares, que são líderes de suas bancadas, ou ainda, fazem parte de diretórios ou executivas dos partidos. Muitas das mulheres do parlamento acabam sendo mártires, que infelizmente ainda têm que se fazer valer de discursos nos quais são obrigadas a enfatizar o fato de serem mulheres para serem ouvidas. Não deveria ser assim. Ser mulher na política deveria ser comum como ser médica, dentista, professora etc...Mas não é assim.

O passo inicial para se mudar a conjuntura com a qual nos deparamos no dia a dia é mudar na base. Nós mulheres sabemos do nosso poder de comunicação, de convencimento e também de nossa determinação, fatores que são primordiais para a vida pública. Por isso, a criação de associações femininas por todo o País, que ouçam diretamente os anseios sociais para que estes sejam levados a público, discutidos e analisados faz-se mister. Com essa iniciativa, surgiriam cada vez mais lideranças entre as mulheres, e certamente a formação de uma cascata de ideais e personagens femininos, naturalmente se consolidaria.

Cristiane Brasil