Mulher discriminada

Ao longo dos anos verificamos avanços e retrocessos quanto à participação feminina nas decisões de rumos para a sociedade. Se por um lado verificamos exemplos recentes da presença feminina na história de países, como o de Michele Bachellet, no Chile, e, mais recentemente, aqui no Brasil, da nova presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, por outro, episódios tristes ainda caracterizam a ignorância da discriminação. O nefasto episódio do galã de novela acusado de agredir a esposa, no último carnaval, é emblemático para que não esqueçamos que a barbárie ainda faz parte do cotidiano de muitas mulheres brasileiras.

Matérias veiculadas na imprensa logo após o episódio relatam o aumento do número de crimes contra as mulheres e revelam o quanto ainda precisamos avançar, como sociedade, em relação à justiça e ao reconhecimento do valor feminino. Os números apurados pelas Delegacias de Atendimento à Mulher do estado apontam que só nos primeiros meses de 2006 já são mais de mil os casos de violência contra a mulher. No mesmo período do ano passado foram pouco mais de 900 casos. Mas temos que ressaltar que ao final de 2005, os estupros e agressões atingiram mais de 30 mil casos. O incrível é saber que estes são os casos em que as mulheres tiveram a coragem de denunciar, pois para cada ato de violência registrado, a estimativa é que outros quatro não os são. E é justamente isto que preocupa. Segundo entidades de Defesa da Mulher, os motivos do silêncio são diversos, mas a maioria das mulheres alega vergonha e dependência econômica para evitarem o registro dos crimes cometidos contra elas.

Esta situação precisa mudar. É necessário que a parcela masculina da sociedade evolua a ponto de ver as mulheres como parceiras e não como concorrentes. Enquanto isso não acontece, é preciso que o Poder Público faça a sua parte no sentido de garantir justiça para que todas as mulheres que sofrem nas mãos dos companheiros se sintam amparadas pela lei. O caminho deve ser a educação da sociedade, como um todo, nesse sentido. Mas ao contrário do que muita gente pode supor, a ênfase deve ser na educação dos homens. A compreensão de que a diferença de gênero não deve representar desigualdade no trato deveria ser a primeira lição a ser ensinada.

Cristiane Brasil