Mercado de trabalho para os mais velhos
Recente pesquisa do IBGE demonstrou que, nos últimos 4 anos, aumentou em 33,9% o número de ocupação para quem tem mais de 50 anos. Com isso trabalhadores desta faixa etária já somam, hoje, cerca de 3 milhões e meio nas principais regiões metropolitanas do País.
O IBGE verificou que, em 2002, pessoas com 50 ou 60 anos representavam 15,4% de trabalhadores ocupados do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Porto Alegre. Em 2006, este número é de 18,1%. No Rio, capital da Terceira Idade brasileira, o avanço foi maior, pois, hoje, 25% da população constituí-se de trabalhadores com mais de 50 anos.
Os números demonstraram ainda que, em relação a trabalhadores de outras faixas etárias, os mais maduros ganham, em média, 36,3% por cento a mais, e estão concentrados nos setores de serviço e de construção.
Os responsáveis pela pesquisa atribuíram ao envelhecimento da população, as reformas previdenciárias que retardam a aposentadoria e a necessidade de complementar a renda das famílias como causas para o fenômeno.
A análise que faço desta pesquisa é, inicialmente, de alguma satisfação, pois certamente alguns destes empregos são resultados da nossa luta pela conscientização de empresários a conseguirem enxergar no idoso ator ativo do processo saudável de fortalecimento da economia e da produtividade.
Por outro lado, há preocupação, pois certamente os números escondem realidades de desrespeito aos direitos trabalhistas e, também, da informalidade, pois num debate internacional sobre Terceira Idade, foi revelado que 21% dos idosos aposentados voltam a trabalhar, sendo que a quase totalidade na informalidade. E muitos desses "novos" trabalhadores voltam ao batente por absoluta falta de opção, dado que ante ao pífio rendimento que recebem de suas aposentadorias e pensões precisam lutar para continuar pagando seus remédios e planos de saúde. É esta parcela de idosos que vemos diariamente na fila do metrô vendendo canetas, artesanato em pequenas feiras, doces na casa de amigos e familiares. O governo arrocha as aposentadorias de um lado, do outro os idosos são obrigados a procurar alternativas para sobreviver.
Mas a informalidade dos idosos deve-se também à inadequação e à falta de uma legislação mais adequada à realidade das regras trabalhistas que os momentos, presentes e futuros, exigem. É impensável, por exemplo, que o aposentado que volta a trabalhar com carteira assinada recolha os mesmos impostos que o trabalhador comum, não desfrutando, entretanto, de nenhum acréscimo para sua própria aposentadoria, tampouco de benefícios sociais tais como o auxílio-doença.
Uma terceira problemática a ser enfrentada é que hoje, só no Rio de Janeiro, 26% das famílias são sustentadas pelo dinheiro de aposentados. Levando-se em consideração que existe uma cultura velada que diz que o idoso não tem mais capacidade de se auto-gerir, passando os seus filhos e demais parentes a tomar conta de seus bens e sua renda, verificamos, inclusive através das denúncias anônimas que recebemos pela Comissão do Idoso da Câmara do Rio de Janeiro que a violência doméstica contra o idoso tem atingido patamares de grande relevância. Mas, infelizmente, este ponto não tem recebido especial atenção.
A luta empreendida deve ser sempre pelo aumento de oportunidades para jovens, adultos e idosos, pois nenhuma sociedade que almeja a justiça social pode prescindir do vigor de sua juventude nem tampouco negligenciar a experiência daqueles que ainda têm muito a colaborar para a melhoria da qualidade de vida de todos.
Grande parte dos conflitos acima citados poderia ser evitada se os Governos, em todas as esferas, que se sucedem, se comprometessem com seriedade em fomentar a abertura de novos postos de trabalhando, com novas empresas e negócios, ao invés de transformar o país em uma grande commoditie para o mercado internacional.
Cristiane Brasil
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